Seguradora pagará indenização à funcionária cega apelidada de ‘piratinha’

Uma companhia de seguros com sede em Belo Horizonte/MG foi condenada a indenizar uma ex-funcionária, que é cega de um olho, no valor de R$ 15 mil. A trabalhadora era alvo de apelidos ofensivos, como “piratinha”, o que foi considerado desrespeitoso pela 8ª turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª região. A decisão, entretanto, reduziu o valor da indenização, que inicialmente havia sido fixado em R$ 40 mil.

Na primeira instância, o juiz da 3ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte havia dado ganho de causa à trabalhadora, determinando a indenização de R$ 40 mil, após testemunhas confirmarem que ela se sentia humilhada com os apelidos pejorativos usados por seus colegas.

A empresa recorreu da decisão, argumentando que não havia provas de tratamento desrespeitoso ou situações que pudessem causar constrangimento à ex-funcionária. Contudo, o relator do caso, Sércio da Silva Peçanha, manteve a condenação com base no depoimento de uma testemunha, que confirmou o uso frequente de apelidos como “Piratinha” e “Cabelo de Fogo”, este último em referência a um personagem de desenho animado.

O relator considerou que os apelidos destacavam a deficiência da trabalhadora e configuravam uma ofensa de caráter moral. A redução do valor da indenização de R$ 40 mil para R$ 15 mil foi justificada pela capacidade financeira da empresa e pela necessidade de evitar o enriquecimento sem causa da vítima, sem prejuízo do efeito pedagógico da condenação.

Na decisão, o relator afirmou: “Considerando a capacidade econômica das partes e as circunstâncias demonstradas no processo, entendo como adequado reduzir o valor da indenização por danos morais para R$ 15 mil, respeitando os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sem caracterizar enriquecimento sem causa.”

O número do processo não foi divulgado.

Fonte: TRT da 3ª Região.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Companhia aérea é responsável por cancelamento de voo em sistema de “codeshare”

Tribunal de Justiça catarinense confirma dever de indenizar passageiros após atraso de 34 horas

noticia

Escada com vista para vizinho a menos de 1,5m gera obrigação de demolição ou readequação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou o rigor das regras do Direito de Vizinhança em recente decisão da Terceira Turma. O colegiado reconheceu que a construção de escadas que

noticia

Cessão de posse não configura doação e pode ser revogada em vida

A 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) confirmou, em acórdão, que um documento de cessão de posse com usufruto feito por uma tia em favor

noticia

Bloqueio indevido: Facebook condenado a pagar R$ 4 mil e reativar perfil

A plataforma desativou o perfil sem apresentar justificativa específica e sem comprovar que a medida observou as próprias políticas de uso.

noticia

TJSC condena associação por descontos indevidos em aposentadoria e alerta para prática “criminosa” contra idosos

Aposentada nunca se filiou à entidade responsável pelos descontos indevidos

noticia

Justiça anula juros abusivos e afirma que construtora não pode capitalizar juros mensalmente

Em uma vitória para o consumidor de Goiânia, o juiz da 31ª Vara Cível, José Augusto de Melo Silva, anulou a cláusula de capitalização mensal de juros em um contrato

noticia

TRT-SC condena empresa por demitir funcionária no dia seguinte a aviso judicial

Decisão da 5ª Turma reconheceu a dispensa como uma retaliação, violando o direito de livre acesso ao Judiciário

noticia

STJ relativiza publicidade e reconhece união estável homoafetiva de mais de 30 anos

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a exigência de publicidade para a configuração da união estável homoafetiva pode ser abrandada. O colegiado reconheceu

noticia

Justiça mantém condenação de construtora por imóvel em condições precárias e atraso na entrega

A Justiça de Mato Grosso confirmou a responsabilidade de uma construtora por entregar um apartamento com diversos problemas e débitos pendentes, o que levou ao corte de água da família

noticia