STJ: Dinheiro de venda de bens em Recuperação Judicial vai para a Massa Falida

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que valores obtidos com a venda de ativos durante uma recuperação judicial não são considerados “pagamento antecipado” aos credores. Se a falência for decretada antes do saque do dinheiro, esse montante deve ser destinado à massa falida para pagar todos os credores conforme a ordem legal.

Entenda o Conflito Jurídico

Uma empresa em recuperação vendeu parte de seus bens (ativos) conforme previsto no plano judicial. O dinheiro foi depositado em uma conta do juízo. Duas credoras pediram para sacar esses valores para quitar suas dívidas. Elas alegavam que o depósito já configurava o pagamento.

No entanto, a Justiça negou o pedido. O entendimento foi de que o dinheiro ainda não pertencia às credoras, mas sim à empresa, e agora deve servir para pagar todos os envolvidos no processo de falência.

Por que o depósito não é considerado pagamento?

O ministro relator, Ricardo Villas Bôas Cueva, explicou que o rito da recuperação judicial é diferente de um pagamento comum. Veja os motivos:

  • Necessidade de Conferência: Após o depósito, o juiz ainda precisa julgar impugnações e definir exatamente quanto cada credor deve receber.
  • Garantia Coletiva: O depósito judicial serve para evitar o desaparecimento do dinheiro e garantir que todos os habilitados recebam no futuro, de forma organizada.
  • Interrupção pela Falência: Com a quebra da empresa, o plano de recuperação é cancelado. Os credores voltam aos seus direitos originais e devem obedecer à fila de prioridades da falência (Art. 83 da Lei 11.101/2005).

“A falência decretada afasta a novação da recuperação judicial, reconstituindo os credores nos seus direitos e garantias”, afirmou o ministro Cueva.

O que muda para o credor?

Se a empresa onde você tem créditos falir antes de você levantar o dinheiro depositado, você não terá prioridade exclusiva sobre aquele valor. O montante será usado para pagar:

  1. Créditos trabalhistas (até o limite legal);
  2. Credores com garantia real;
  3. Créditos tributários e, por fim, os demais credores.

Na MHB Advocacia, atuamos de forma estratégica para habilitar créditos e acompanhar processos de falência, garantindo que os direitos dos nossos clientes sejam respeitados na ordem cronológica e legal.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Justiça Federal condena Caixa e construtora por atraso em imóvel do programa “Casa Verde e Amarela”

A Justiça Federal condenou a Caixa e uma construtora a devolverem valores e pagarem danos morais por atraso em obra. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

Presidente sanciona lei que amplia licença-paternidade para até 20 dias

Entenda as novas regras do salário-paternidade com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça de SC decide: Dono de terra ganha 5 mil pés de eucalipto plantados por vizinho

O TJSC decidiu que um dono de terra em Camboriú tem direito a 5 mil eucaliptos plantados pelo vizinho em sua área. Entenda a regra de acessão com a MHB

noticia

Herdeiros recuperam sítio após TJSC descartar união estável de ocupante com falecido

A Justiça negou o direito de habitação por falta de provas de união estável. Saiba mais com a MHB Advocacia.

noticia

STJ decide: Shopping pode aplicar penhor legal mesmo que contrato tenha fiador

O STJ decidiu que o penhor legal pode ser acumulado com fiança em contratos de locação. Saiba como funciona a retenção de bens por dívida com a MHB Advocacia.

noticia

Registrar imóvel em município vizinho não basta para afastar IPTU

Saiba como agir em casos de bitributação com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça obriga comprador de restaurante a pagar aluguéis e transferir contrato

Saiba como evitar riscos no trepasse com a MHB Advocacia.

noticia

STJ altera entendimento: Empresa deve pagar contribuição previdenciária sobre terço de férias

Entenda a modulação do STF e os impactos com a MHB Advocacia.

noticia

STF forma maioria para validar restrições à compra de terras por empresas estrangeiras

Saiba como essa decisão afeta o agronegócio na MHB Advocacia.

noticia