Crime por piada em show de comédia exige prova da intenção do comediante

O fato de uma piada ser contada em show de comédia basta para presumir a intenção de fazer uma brincadeira ou de caçoar. Assim, para que se reconheça a ocorrência de um crime, é preciso o dolo específico de discriminação.

Com essa posição, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu trancar um inquérito aberto pelo Ministério Público de São Paulo contra o comediante Bruno Lambert por uma piada sobre sexo com cadeirantes.

A denúncia foi feita pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que o acusou de capacitismo e discriminação. O MP-SP decidiu investigar o caso com base no artigo 88 do Estatuto da Pessoa com Deficiência.

A norma diz que é crime “praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência”. Ao analisar o caso, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o trancamento das investigações.

Para a corte paulista, seria precipitado dizer se houve o crime naquele estágio das investigações, pois seria necessária uma apuração mais aprofundada do caso, em especial a oitiva de pessoas que presenciaram a apresentação ou a gravação da cena.

Piada em show de comédia

Relator do Habeas Corpus no STJ, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca votou pelo trancamento do inquérito. Para ele, o contexto retratado não revela por si só o dolo específico, mas, ao contrário, sua ausência. Segundo o magistrado, não há indícios de animus injuriandi (intenção de injuriar), mas de animus jocandi (intenção de caçoar).

“O fato de se tratar de um show de stand up comedy já denota a presunção do animus jocandi, sendo necessário, portanto, elementos no mínimo sugestionadores do dolo específico de discriminação, para que seja possível instaurar um inquérito.” A votação foi unânime.

Clique aqui para ler o acórdão
RHC 193.928

Fonte: Conjur

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

TJSC condena construtoras por alagamento de lama em imóvel vizinho a empreendimento

O TJSC manteve a condenação de duas construtoras a pagar R$ 60 mil de danos morais por invadir casa de vizinhos com lama em Biguaçu. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Construtora assume dever de entregar apartamento correto a comprador em Santa Catarina

O TJSC condenou construtora a entregar apartamento correto a comprador que recebeu unidade trocada, mantendo R$ 10 mil de dano moral. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

TJ-RS suspende imissão na posse de município que ofertou depósito inferior ao IPTU

O TJ-RS barrou a posse provisória do município de Imbé por descumprimento do Tema 472 do STJ, exigindo depósito equivalente ao IPTU. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

STJ veda direito de retenção de imóvel por benfeitorias a inquilino inadimplente

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão unânime no REsp 2.233.373, fixou que o locatário em atraso com os aluguéis não pode exercer o direito de

noticia

Justiça anula contrato de compra e venda e condena advogada que aplicou golpe em idosos

A Justiça de Penha declarou a nulidade de contrato de compra e venda de imóvel de idosos analfabetos enganados por advogada. Veja a análise ética da MHB Advocacia.

noticia

STJ veda usucapião familiar para imóveis urbanos com área total acima de 250 m²

O STJ decidiu que a usucapião familiar exige que a área total do imóvel urbano respeite o limite máximo de 250 m², proibindo o fracionamento. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

TRT-SC confirma justa causa para funcionária que gravou vídeos de deboche no expediente em Urussanga

O TRT-SC confirmou a justa causa de uma funcionária de Urussanga que gravou e publicou vídeos em tom de deboche no expediente. Entenda a decisão com a MHB Advocacia.

noticia

Comprador que não registrou imóvel vendido em 1993 terá de indenizar vendedor após cobranças de IPTU em SC

O TJSC manteve indenização contra comprador que não registrou imóvel vendido em 1993 e gerou execuções fiscais de IPTU contra o antigo dono. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

TST anula cláusula que reduzia folga de mulheres aos domingos no setor de comércio e hotelaria

O TST anulou por unanimidade cláusula de convenção coletiva que fixava folga aos domingos a cada 3 semanas para mulheres, mantendo o limite de 15 dias. Veja a análise da

noticia