Plano de saúde deve reembolsar custo de “capacetinho” para bebê com assimetria craniana, decide TJSC

A 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) determinou que um plano de saúde reembolse os pais de um bebê pelo valor de R$ 14,8 mil pago em uma órtese craniana, popularmente conhecida como “capacetinho”. O dispositivo foi utilizado para tratar uma assimetria no crânio da criança. A decisão reformou uma sentença anterior da 1ª Vara da comarca de Urussanga, que havia validado a negativa de cobertura por parte da operadora.

A órtese foi indicada por um médico especialista como a única alternativa viável para tratar a braquicefalia posicional do bebê. Segundo o laudo médico, o tratamento deveria ocorrer em uma fase específica do desenvolvimento infantil, sob o risco de o problema se tornar permanente. O custo do dispositivo foi pago diretamente pela família após a recusa do plano de saúde em cobrir o tratamento.

O contrato firmado entre as partes excluía a cobertura de órteses não relacionadas a procedimentos cirúrgicos. No entanto, o desembargador relator do acórdão destacou que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) admite exceções para essa regra, especialmente quando o equipamento substitui uma cirurgia e em casos que envolvem crianças.

Urgência e Necessidade do Tratamento

O relatório judicial citou um trecho do laudo médico que afirmava ser a órtese a única possibilidade de tratamento no caso. “Não se trata de terapia com finalidade estética, embora o benefício estético não deva ser desprezado”, ressaltou a peça que instruiu o processo. Além disso, o voto do relator enfatizou que a própria operadora do plano de saúde confirmou a inexistência de clínicas credenciadas para o procedimento na região do contratante, demonstrando a urgência e a necessidade da aquisição direta da órtese pelos pais.

Por fim, o relatório registrou que a negativa do plano de saúde foi indevida, pois ficou comprovado que o tratamento visava prevenir sequelas e evitar uma intervenção cirúrgica de alto risco no futuro. “Assim, não pode o apelante/autor ser penalizado por utilizar-se dos meios necessários – ter buscado atendimento e tratamento – para garantir a melhor qualidade de vida possível à sua prole, ainda mais diante da incontroversa negativa administrativa da parte adversa e da notória urgência de fazê-lo”, complementou o relator.

Por unanimidade, o colegiado da 2ª Câmara de Direito Civil seguiu o relatório e reconheceu o direito dos pais ao reembolso integral, com atualização monetária a partir da data do pagamento e incidência de juros de mora desde a citação (Apelação n. 5005150-22.2022.8.24.0078).

Fonte: TJ/SC

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Banco credor fiduciário não responde por atraso em obra de incorporadora imobiliária

STJ decide que banco credor fiduciário não responde por atraso na entrega de imóvel por incorporadora. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

TST e Ministério do Trabalho prometem resposta rápida e rigorosa contra demissões por motivação política

TST e Governo Federal prometem punição rápida contra demissões por motivação política e assédio eleitoral. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Anfitrião responderá por danos materiais e morais após cancelamento de hospedagem na véspera de viagem

TJ-SP condena anfitrião a indenizar hóspedes por cancelamento de reserva na véspera de viagem. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça de SC autoriza pais a venderem imóvel a filho maior com suprimento judicial de consentimento de irmão menor

Justiça de SC supre consentimento de filho menor e autoriza pais a venderem imóvel a filho maior de idade. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Ajuda financeira familiar não justifica desconsideração inversa da personalidade jurídica na Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho rejeita IDPJ Inverso e decide que repasse familiar não justifica penhora em empresa do filho. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Aprovada no Congresso PEC que põe fim à escala 6×1 com implementação gradual da jornada de 40 horas

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 com redução gradual da jornada para 40 horas semanais. Entenda os detalhes com a MHB Advocacia.

noticia

Aluguel arrecadado em área comum de condomínio deve ser dividido entre todos os proprietários

TJ-MG decide que aluguel de área comum de condomínio deve ser dividido entre os proprietários. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de desocupação do imóvel

TJ-MG decide que rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de reintegração sem título executivo. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Paralisação de obra e falta de cronograma configuram inadimplemento antecipado e exigem devolução integral de valores

Justiça de SP reconhece inadimplemento antecipado e manda construtora devolver 100% do valor de imóvel com obra parada. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia