Volkswagen é condenada por exploração de trabalho escravo

A multinacional Volkswagen foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar uma indenização de R$ 165 milhões por dano moral coletivo, por ter explorado trabalho análogo à escravidão em uma fazenda no Pará. O crime, ocorrido entre 1974 e 1986 na Fazenda Vale do Rio Cristalino, que também era conhecida como Fazenda Volkswagen, envolveu centenas de trabalhadores em condições degradantes. O valor da indenização será destinado ao Fundo Estadual de Promoção do Trabalho Digno e de Erradicação do Trabalho em Condições Análogas à de Escravo no Pará (Funtrad/PA).

As Provas e a Responsabilidade da Empresa

O juiz Otavio Bruno da Silva Ferreira, da Vara do Trabalho de Redenção (PA), explicou que as provas mostram que a Volkswagen não apenas investiu na fazenda, mas também participou ativamente de sua gestão, se beneficiando da exploração ilegal de mão de obra.

De acordo com o magistrado, relatórios, testemunhos de trabalhadores e documentos oficiais confirmam que o modelo de produção incluía práticas de servidão por dívida, vigilância armada, alojamentos precários, alimentação insuficiente e ausência de assistência médica, caracterizando o trabalho escravo contemporâneo.

A ação judicial foi movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que recebeu denúncias em 2019 e, com base em depoimentos, inquéritos policiais e documentos, comprovou a ocorrência dos fatos.

Outras Determinações e a Resposta da Volkswagen

Além da indenização, a sentença determina que a Volkswagen deverá fazer um reconhecimento público de sua responsabilidade e pedir desculpas aos trabalhadores e à sociedade. A empresa também terá que adotar uma Política de Direitos Humanos e Trabalho Decente, proibir práticas análogas à escravidão em contratos com fornecedores e permitir auditorias independentes.

O empreendimento da Volkswagen foi financiado com recursos públicos pela Sudam durante a ditadura cívico-militar, e em 2020 a empresa já havia firmado um acordo judicial reconhecendo seu apoio ao regime militar e a violações de direitos humanos.

A Volkswagen informou à Agência Brasil que irá recorrer da sentença e que “defende consistentemente os princípios da dignidade humana e cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis”. A empresa diz que “seguirá sua defesa em busca de justiça e segurança jurídica nas instâncias superiores”.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Radialista conquista reconhecimento de dois contratos de trabalho simultâneos

Muitos trabalhadores recebem apenas um "adicional" quando acumulam tarefas.

noticia

Justiça protege Bem de Família, mas mantém penhora de imóvel não registrado

A Justiça reafirmou que a moradia é um direito sagrado.

noticia

ITR ou IPTU? Destinação do imóvel vale mais que a localização, decide Justiça

A Vara da Fazenda Pública de Goiânia anulou cobranças de Imposto Territorial Urbano (IPTU) sobre um imóvel que, apesar de estar na zona urbana, é utilizado exclusivamente para fins rurais.

noticia

STF analisa aumento de impostos para empresas do Lucro Presumido

Norma majorou em 10% a margem de presunção para o contribuinte que obtiver receita anual superior a R$ 5 milhões

noticia

STF decide: Correção do FGTS deve garantir, no mínimo, a inflação (IPCA)

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou uma das maiores discussões jurídicas do país. No julgamento do Tema 1.444, a Corte reafirmou que o saldo do FGTS não pode render menos

noticia

STJ: Dinheiro de venda de bens em Recuperação Judicial vai para a Massa Falida

Duas credoras pediram para sacar esses valores para quitar suas dívidas. Elas alegavam que o depósito já configurava o pagamento.

noticia

Família Acolhedora: Criciúma e Treviso buscam voluntários para o programa

Justiça e assistência social mobilizam interessados em oferecer acolhimento familiar temporário a crianças e adolescentes

noticia

Execução Fiscal: O que acontece com a dívida tributária quando o devedor morre?

Atualmente, a Justiça costuma extinguir o processo se o devedor morre antes da citação. No entanto, a ministra relatora Maria Thereza de Assis Moura propôs uma mudança para facilitar a

noticia

TST reconhece como discriminatória demissão de trabalhador com câncer

O trabalhador atuou na empresa por mais de duas décadas.

noticia