Idoso conquista na justiça o direito ao registro civil após 65 anos sem documentos

Um morador de Papanduva, no Norte de Santa Catarina, finalmente conquistou um direito fundamental: ter um registro civil de nascimento. Com 65 anos, o idoso viveu mais de seis décadas sem qualquer documento oficial, mas agora, graças a uma decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), ele terá sua certidão. A decisão, unânime, reverteu a sentença de 1º grau que havia negado o pedido por falta de provas.

O desembargador relator do caso destacou a importância do registro de nascimento como um direito fundamental garantido pela Constituição Federal, essencial para o exercício da cidadania. O homem, que enfrenta uma grave enfermidade, relatou que nunca conseguiu comprovar sua origem por documentos. Ele alegou ter sido registrado no Paraná, mas a morte dos pais e a destruição de um cartório em 1963 o deixaram sem acesso à certidão.

Sem documentos como CPF ou RG, o idoso enfrentou grandes dificuldades para acessar serviços de saúde e previdência, além de não poder ser reconhecido como pai nos documentos de seus filhos, que foram registrados apenas em nome da mãe, com quem ele vive há 40 anos.

O TJSC reconheceu a verossimilhança de suas alegações e determinou que o registro de nascimento fosse feito imediatamente, com a possibilidade de retificação futura se novas provas surgirem.

“Se se admite que esse idoso, acometido de severa patologia, quiçá no ocaso da existência, não logrou até agora obter o registro do seu nascimento, o mais básico e elementar direito de cidadania, a solução só pode ser uma: determinar que o seu nascimento seja levado a registro de uma vez por todas! Não há como conceber o contrário!”, registrou o relator.

A decisão reforçou que o registro civil não é apenas um direito individual, mas também um interesse social, crucial para a criação de políticas públicas em áreas como saúde e emprego em Santa Catarina. O pedido do idoso de Papanduva foi acolhido integralmente.

Fonte: TJ/SC

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Companhia aérea é responsável por cancelamento de voo em sistema de “codeshare”

Tribunal de Justiça catarinense confirma dever de indenizar passageiros após atraso de 34 horas

noticia

Escada com vista para vizinho a menos de 1,5m gera obrigação de demolição ou readequação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou o rigor das regras do Direito de Vizinhança em recente decisão da Terceira Turma. O colegiado reconheceu que a construção de escadas que

noticia

Cessão de posse não configura doação e pode ser revogada em vida

A 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) confirmou, em acórdão, que um documento de cessão de posse com usufruto feito por uma tia em favor

noticia

Bloqueio indevido: Facebook condenado a pagar R$ 4 mil e reativar perfil

A plataforma desativou o perfil sem apresentar justificativa específica e sem comprovar que a medida observou as próprias políticas de uso.

noticia

TJSC condena associação por descontos indevidos em aposentadoria e alerta para prática “criminosa” contra idosos

Aposentada nunca se filiou à entidade responsável pelos descontos indevidos

noticia

Justiça anula juros abusivos e afirma que construtora não pode capitalizar juros mensalmente

Em uma vitória para o consumidor de Goiânia, o juiz da 31ª Vara Cível, José Augusto de Melo Silva, anulou a cláusula de capitalização mensal de juros em um contrato

noticia

TRT-SC condena empresa por demitir funcionária no dia seguinte a aviso judicial

Decisão da 5ª Turma reconheceu a dispensa como uma retaliação, violando o direito de livre acesso ao Judiciário

noticia

STJ relativiza publicidade e reconhece união estável homoafetiva de mais de 30 anos

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a exigência de publicidade para a configuração da união estável homoafetiva pode ser abrandada. O colegiado reconheceu

noticia

Justiça mantém condenação de construtora por imóvel em condições precárias e atraso na entrega

A Justiça de Mato Grosso confirmou a responsabilidade de uma construtora por entregar um apartamento com diversos problemas e débitos pendentes, o que levou ao corte de água da família

noticia