União estável após os 70 anos não garante meação automática, decide TJSC 

Sul de Santa Catarina — O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) confirmou uma sentença de primeira instância do sul do Estado, extinguindo uma ação de inventário proposta por uma mulher que buscava se reconhecer como viúva meeira na divisão dos bens de seu companheiro, falecido aos 70 anos em 2024.

A decisão judicial, confirmada pela 8ª Câmara Civil do TJSC, reforça a aplicação do regime da separação obrigatória de bens em uniões estáveis iniciadas quando um dos companheiros tinha mais de 70 anos.

Separação Obrigatória de Bens em União Estável com Maiores de 70

A ação foi extinta sem julgamento de mérito (conteúdo) porque o regime da separação obrigatória se aplica, por lei, a uniões envolvendo pessoas com mais de 70 anos, a menos que haja uma escritura pública em contrário – o que não existia neste caso.

Nesse regime, para haver a divisão de bens adquiridos durante a união (a chamada “meação”), é essencial que a companheira prove concretamente o esforço comum na aquisição desses bens, não bastando a simples presunção.

Paralelamente à ação judicial, os filhos do falecido iniciaram um inventário extrajudicial. A companheira, que não foi incluída nesse procedimento como viúva ou herdeira, contestava a validade do inventário.

Ausência de Interesse Prático na Ação de Inventário

O juiz de primeiro grau extinguiu a ação judicial da companheira. O TJSC manteve a decisão, entendendo que não havia interesse prático (necessidade/utilidade) em dar continuidade ao processo de inventário:

“Não se verifica direito de meação a ser resguardado em inventário judicial, mostrando-se acertada a sentença de extinção do processo, já que não há interesse (necessidade/utilidade) em seguir com uma demanda sem um propósito prático (não há direito de meação a ser partilhado, e a partilha do direito de herança já está sendo objeto de inventário na via extrajudicial)”, registrou a desembargadora relatora do recurso.

O colegiado do TJSC destacou, por fim, que se a companheira deseja discutir a validade do inventário extrajudicial dos filhos, ela deve recorrer a outros meios processuais apropriados, como uma ação anulatória, e não a uma nova ação de inventário e partilha. A decisão foi unânime.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Banco credor fiduciário não responde por atraso em obra de incorporadora imobiliária

STJ decide que banco credor fiduciário não responde por atraso na entrega de imóvel por incorporadora. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

TST e Ministério do Trabalho prometem resposta rápida e rigorosa contra demissões por motivação política

TST e Governo Federal prometem punição rápida contra demissões por motivação política e assédio eleitoral. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Anfitrião responderá por danos materiais e morais após cancelamento de hospedagem na véspera de viagem

TJ-SP condena anfitrião a indenizar hóspedes por cancelamento de reserva na véspera de viagem. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça de SC autoriza pais a venderem imóvel a filho maior com suprimento judicial de consentimento de irmão menor

Justiça de SC supre consentimento de filho menor e autoriza pais a venderem imóvel a filho maior de idade. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Ajuda financeira familiar não justifica desconsideração inversa da personalidade jurídica na Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho rejeita IDPJ Inverso e decide que repasse familiar não justifica penhora em empresa do filho. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Aprovada no Congresso PEC que põe fim à escala 6×1 com implementação gradual da jornada de 40 horas

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 com redução gradual da jornada para 40 horas semanais. Entenda os detalhes com a MHB Advocacia.

noticia

Aluguel arrecadado em área comum de condomínio deve ser dividido entre todos os proprietários

TJ-MG decide que aluguel de área comum de condomínio deve ser dividido entre os proprietários. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de desocupação do imóvel

TJ-MG decide que rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de reintegração sem título executivo. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Paralisação de obra e falta de cronograma configuram inadimplemento antecipado e exigem devolução integral de valores

Justiça de SP reconhece inadimplemento antecipado e manda construtora devolver 100% do valor de imóvel com obra parada. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia