Cláusula de impenhorabilidade não blinda herança de dívidas anteriores

Uma decisão em plantão da 35ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) anulou um recurso que protegia a herança de uma devedora, reafirmando que a cláusula de impenhorabilidade em testamentos não pode ser usada para blindar o patrimônio de dívidas que já existiam antes do recebimento da herança.

A desembargadora Flávia Beatriz Gonçalez da Silva suspendeu a decisão anterior, que impedia a penhora de parte do inventário para quitar uma dívida de R$ 197 mil.

Blindagem Contra Dívidas Futuras, Não Anteriores

A empresa credora recorreu da decisão, sustentando que a finalidade da cláusula de impenhorabilidade é proteger o patrimônio de dívidas futuras e eventuais, jamais de obrigações “já líquidas, certas e exigíveis” constituídas antes da herança.

A defesa da companhia alertou para o risco de fraude contra credores:

“Permitir interpretação contrária equivaleria a admitir verdadeira fraude contra credores, em afronta ao princípio da efetividade da execução”, disseram os advogados.

A desembargadora relatora acolheu o pedido, considerando haver elementos suficientes para determinar que o dinheiro da herança seja utilizado para satisfazer a dívida.

“Nulidade de Algibeira” Afastada

Além da questão material, a desembargadora Flávia Gonçalez também criticou a conduta processual da devedora, que só alegou a nulidade da penhora por causa da cláusula de impenhorabilidade tardiamente.

O voto indicou que a devedora não tratou da “impenhorabilidade na primeira oportunidade (o que pode evidenciar preclusão consumativa)” e, ao fazê-lo depois, demonstrou a “nefasta prática de alegação tardia de nulidade, também conhecida por ‘nulidade de algibeira’”.

Com a decisão, o dinheiro do inventário será utilizado para pagar a dívida, garantindo a efetividade da execução judicial em São Paulo.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Companhia aérea é responsável por cancelamento de voo em sistema de “codeshare”

Tribunal de Justiça catarinense confirma dever de indenizar passageiros após atraso de 34 horas

noticia

Escada com vista para vizinho a menos de 1,5m gera obrigação de demolição ou readequação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou o rigor das regras do Direito de Vizinhança em recente decisão da Terceira Turma. O colegiado reconheceu que a construção de escadas que

noticia

Cessão de posse não configura doação e pode ser revogada em vida

A 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) confirmou, em acórdão, que um documento de cessão de posse com usufruto feito por uma tia em favor

noticia

Bloqueio indevido: Facebook condenado a pagar R$ 4 mil e reativar perfil

A plataforma desativou o perfil sem apresentar justificativa específica e sem comprovar que a medida observou as próprias políticas de uso.

noticia

TJSC condena associação por descontos indevidos em aposentadoria e alerta para prática “criminosa” contra idosos

Aposentada nunca se filiou à entidade responsável pelos descontos indevidos

noticia

Justiça anula juros abusivos e afirma que construtora não pode capitalizar juros mensalmente

Em uma vitória para o consumidor de Goiânia, o juiz da 31ª Vara Cível, José Augusto de Melo Silva, anulou a cláusula de capitalização mensal de juros em um contrato

noticia

TRT-SC condena empresa por demitir funcionária no dia seguinte a aviso judicial

Decisão da 5ª Turma reconheceu a dispensa como uma retaliação, violando o direito de livre acesso ao Judiciário

noticia

STJ relativiza publicidade e reconhece união estável homoafetiva de mais de 30 anos

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a exigência de publicidade para a configuração da união estável homoafetiva pode ser abrandada. O colegiado reconheceu

noticia

Justiça mantém condenação de construtora por imóvel em condições precárias e atraso na entrega

A Justiça de Mato Grosso confirmou a responsabilidade de uma construtora por entregar um apartamento com diversos problemas e débitos pendentes, o que levou ao corte de água da família

noticia