STF retoma julgamento de casos de repatriação de crianças e violência doméstica

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, nesta quarta-feira, 13 de agosto, o julgamento de duas ações que discutem a repatriação de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica, direta ou indireta. As ações giram em torno da interpretação da Convenção da Haia sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crianças, à qual o Brasil aderiu.

O que está sendo discutido?

  • ADI 4245: O Partido Democratas questiona se o decreto que ratificou a adesão do Brasil à Convenção da Haia é constitucional. A legenda alega que o tratado tem sido interpretado de forma errada, especialmente em relação aos procedimentos de repatriação.
  • ADI 7686: O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) pede que a Convenção seja interpretada de forma a impedir o retorno obrigatório de crianças ao exterior, quando trazidas ao Brasil pela mãe (ou pelo pai), se houver suspeita de violência doméstica, mesmo que a criança não seja a vítima direta.

O voto do Ministro Luís Roberto Barroso

O ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, votou pela compatibilidade da Convenção com a Constituição Federal, mas defendeu que a regra de repatriação imediata não deve ser aplicada em casos de violência doméstica.

A Convenção prevê a devolução imediata da criança ao país de origem, com exceção em casos onde há risco comprovado de a criança ser submetida a perigos físicos ou psíquicos. Barroso propôs estender essa exceção para casos de “indícios comprováveis de violência doméstica”, mesmo que a criança não seja a vítima direta do abuso.

O ministro argumentou que a violência de gênero é de difícil comprovação e que a verificação da situação de risco deve ser baseada em indícios e elementos objetivos que tornem a alegação de risco grave plausível.

Melhor Interesse da Criança e Celeridade Processual

Barroso ressaltou que, apesar da validade do tratado, o Brasil tem uma reputação internacional desfavorável devido à demora na execução de decisões sobre restituição de crianças. Para ele, o princípio do melhor interesse da criança exige a adoção de medidas para tornar a tramitação dessas ações mais rápida e eficaz.

Entre as medidas propostas, estão:

  • A criação de um grupo de trabalho no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para elaborar uma resolução que acelere o andamento desses processos.
  • A concentração da competência para processar e julgar essas ações em varas federais e turmas especializadas.

O julgamento foi suspenso para que os demais ministros possam analisar o voto e as propostas apresentadas. A decisão final do STF terá um impacto significativo na forma como o Brasil lida com casos de sequestro internacional de crianças, especialmente quando a violência doméstica está presente.

Fonte: STF

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Companhia aérea é responsável por cancelamento de voo em sistema de “codeshare”

Tribunal de Justiça catarinense confirma dever de indenizar passageiros após atraso de 34 horas

noticia

Escada com vista para vizinho a menos de 1,5m gera obrigação de demolição ou readequação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou o rigor das regras do Direito de Vizinhança em recente decisão da Terceira Turma. O colegiado reconheceu que a construção de escadas que

noticia

Cessão de posse não configura doação e pode ser revogada em vida

A 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) confirmou, em acórdão, que um documento de cessão de posse com usufruto feito por uma tia em favor

noticia

Bloqueio indevido: Facebook condenado a pagar R$ 4 mil e reativar perfil

A plataforma desativou o perfil sem apresentar justificativa específica e sem comprovar que a medida observou as próprias políticas de uso.

noticia

TJSC condena associação por descontos indevidos em aposentadoria e alerta para prática “criminosa” contra idosos

Aposentada nunca se filiou à entidade responsável pelos descontos indevidos

noticia

Justiça anula juros abusivos e afirma que construtora não pode capitalizar juros mensalmente

Em uma vitória para o consumidor de Goiânia, o juiz da 31ª Vara Cível, José Augusto de Melo Silva, anulou a cláusula de capitalização mensal de juros em um contrato

noticia

TRT-SC condena empresa por demitir funcionária no dia seguinte a aviso judicial

Decisão da 5ª Turma reconheceu a dispensa como uma retaliação, violando o direito de livre acesso ao Judiciário

noticia

STJ relativiza publicidade e reconhece união estável homoafetiva de mais de 30 anos

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a exigência de publicidade para a configuração da união estável homoafetiva pode ser abrandada. O colegiado reconheceu

noticia

Justiça mantém condenação de construtora por imóvel em condições precárias e atraso na entrega

A Justiça de Mato Grosso confirmou a responsabilidade de uma construtora por entregar um apartamento com diversos problemas e débitos pendentes, o que levou ao corte de água da família

noticia