STJ reconhece adoção póstuma e união estável em caso específico

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a possibilidade de adoção póstuma e validou, de forma incidental, a união estável entre os adotantes. A decisão ocorreu em um processo que envolvia um casal que cuidava de uma criança há mais de 13 anos.

O que a decisão estabeleceu?

Um casal, que alegou conviver em união estável por mais de 30 anos, recebeu uma criança diretamente da mãe biológica, que depois se retratou. Eles entraram com uma ação judicial para pedir a adoção e a desconstituição do poder familiar da mãe biológica. Antes do julgamento do recurso, um dos adotantes faleceu.

Os herdeiros do adotante falecido entraram com um recurso no STJ, questionando, entre outras coisas, se a união estável do casal era válida para uma adoção conjunta e se a adoção estava respeitando o cadastro nacional.

Adoção Conjunta e Adoção Póstuma

O ministro relator, Ricardo Villas Bôas Cueva, observou que a lei exige união estável para a adoção conjunta, mas ressaltou que, no caso, a declaração de união estável feita pelo casal foi apoiada por um estudo social e por testemunhas. A decisão validou a união estável para os fins da ação de adoção, mesmo sem um reconhecimento formal em outra ação judicial.

Sobre a adoção póstuma, o ministro Cueva explicou que o falecido tinha uma manifestação inequívoca de vontade em adotar a criança, o que permitiu o deferimento do pedido. A decisão ressalta que o principal objetivo da adoção é garantir o melhor interesse da criança.

Por fim, mesmo que a ordem do Cadastro Nacional de Adoção não tenha sido respeitada, o relator destacou que retirar a criança da família onde ela vivia há mais de 13 anos seria um prejuízo muito grande. Ele concluiu que o melhor interesse da criança deve prevalecer sobre a inobservância do procedimento ordinário de adoção. Com a decisão, a adoção foi mantida, inclusive em relação ao adotante falecido.

Fonte: STJ

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Companhia aérea é responsável por cancelamento de voo em sistema de “codeshare”

Tribunal de Justiça catarinense confirma dever de indenizar passageiros após atraso de 34 horas

noticia

Escada com vista para vizinho a menos de 1,5m gera obrigação de demolição ou readequação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou o rigor das regras do Direito de Vizinhança em recente decisão da Terceira Turma. O colegiado reconheceu que a construção de escadas que

noticia

Cessão de posse não configura doação e pode ser revogada em vida

A 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) confirmou, em acórdão, que um documento de cessão de posse com usufruto feito por uma tia em favor

noticia

Bloqueio indevido: Facebook condenado a pagar R$ 4 mil e reativar perfil

A plataforma desativou o perfil sem apresentar justificativa específica e sem comprovar que a medida observou as próprias políticas de uso.

noticia

TJSC condena associação por descontos indevidos em aposentadoria e alerta para prática “criminosa” contra idosos

Aposentada nunca se filiou à entidade responsável pelos descontos indevidos

noticia

Justiça anula juros abusivos e afirma que construtora não pode capitalizar juros mensalmente

Em uma vitória para o consumidor de Goiânia, o juiz da 31ª Vara Cível, José Augusto de Melo Silva, anulou a cláusula de capitalização mensal de juros em um contrato

noticia

TRT-SC condena empresa por demitir funcionária no dia seguinte a aviso judicial

Decisão da 5ª Turma reconheceu a dispensa como uma retaliação, violando o direito de livre acesso ao Judiciário

noticia

STJ relativiza publicidade e reconhece união estável homoafetiva de mais de 30 anos

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a exigência de publicidade para a configuração da união estável homoafetiva pode ser abrandada. O colegiado reconheceu

noticia

Justiça mantém condenação de construtora por imóvel em condições precárias e atraso na entrega

A Justiça de Mato Grosso confirmou a responsabilidade de uma construtora por entregar um apartamento com diversos problemas e débitos pendentes, o que levou ao corte de água da família

noticia