TJSC mantém reintegração de posse e ordena desocupação de terreno público

A 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve, por unanimidade, a ordem de desocupação de um terreno público localizado no bairro Vila Cubatão, em Joinville (SC). A decisão rejeitou os embargos de declaração interpostos por um morador que ocupava o imóvel sem autorização do poder público.

Ocupação não gera posse legítima

A defesa do morador alegou posse de boa-fé e destacou que o imóvel havia sido cadastrado pela Prefeitura para cobrança de IPTU, o que, segundo ele, demonstraria reconhecimento tácito da posse.

Contudo, o relator do caso enfatizou que o cadastro do imóvel para fins tributários não legitima a ocupação nem gera direito à propriedade ou indenização.

“A ocupação de bem público sem autorização configura mera detenção, precária e irregular, que não gera direitos possessórios”, afirmou o magistrado.

Embargos rejeitados: sem omissão ou contradição

O TJSC reafirmou que os embargos de declaração não são instrumentos para rediscutir o mérito da causa ou modificar decisões com base na discordância da parte vencida. O colegiado entendeu que o recurso não apontou omissão, erro ou contradição, e, por isso, manteve o acórdão anterior.

📌 “O recurso não se presta à rediscussão da causa, tampouco à adequação do julgado aos interesses da parte vencida”, registrou o relator.

Precedentes consolidados sobre bens públicos

A decisão está alinhada à jurisprudência consolidada do TJSC e do STJ, que considera que bens públicos são imprescritíveis e não podem ser adquiridos por usucapião. Ocupações irregulares, ainda que pacíficas ou de longa data, não geram direitos possessórios nem ensejam indenização por benfeitorias.

🔎 Processo: 5047159-85.2023.8.24.0038/SC
⚖️ Órgão julgador: 1ª Câmara de Direito Público do TJSC
📍 Local: Joinville (SC)
🗓️ Decisão: Unânime

📚 Para mais detalhes, consulte o Informativo da Jurisprudência Catarinense.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Banco credor fiduciário não responde por atraso em obra de incorporadora imobiliária

STJ decide que banco credor fiduciário não responde por atraso na entrega de imóvel por incorporadora. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

TST e Ministério do Trabalho prometem resposta rápida e rigorosa contra demissões por motivação política

TST e Governo Federal prometem punição rápida contra demissões por motivação política e assédio eleitoral. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Anfitrião responderá por danos materiais e morais após cancelamento de hospedagem na véspera de viagem

TJ-SP condena anfitrião a indenizar hóspedes por cancelamento de reserva na véspera de viagem. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça de SC autoriza pais a venderem imóvel a filho maior com suprimento judicial de consentimento de irmão menor

Justiça de SC supre consentimento de filho menor e autoriza pais a venderem imóvel a filho maior de idade. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Ajuda financeira familiar não justifica desconsideração inversa da personalidade jurídica na Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho rejeita IDPJ Inverso e decide que repasse familiar não justifica penhora em empresa do filho. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Aprovada no Congresso PEC que põe fim à escala 6×1 com implementação gradual da jornada de 40 horas

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 com redução gradual da jornada para 40 horas semanais. Entenda os detalhes com a MHB Advocacia.

noticia

Aluguel arrecadado em área comum de condomínio deve ser dividido entre todos os proprietários

TJ-MG decide que aluguel de área comum de condomínio deve ser dividido entre os proprietários. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de desocupação do imóvel

TJ-MG decide que rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de reintegração sem título executivo. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Paralisação de obra e falta de cronograma configuram inadimplemento antecipado e exigem devolução integral de valores

Justiça de SP reconhece inadimplemento antecipado e manda construtora devolver 100% do valor de imóvel com obra parada. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia