TRT-RS condena indústria de uniformes a indenizar coordenador vítima de homofobia no ambiente de trabalho

A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) condenou uma indústria de uniformes a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil a um coordenador de serviços vítima de homofobia no ambiente profissional. A decisão reformou sentença de primeiro grau, proferida pela 4ª Vara do Trabalho de Canoas (RS).

Coordenador alegou episódios de discriminação e descaso da empresa

O trabalhador atuou como vendedor pracista e coordenador de serviços entre julho de 2020 e janeiro de 2023, sendo demitido sem justa causa. Na ação trabalhista, ele alegou sofrimento psicológico decorrente de discriminação por orientação sexual, incluindo comentários homofóbicos de um supervisor.

Uma testemunha confirmou que presenciou declarações ofensivas, como:

“Se tivesse um filho gay, o mataria”,

Além disso, houve relatos de piadas e falas preconceituosas proferidas frequentemente na presença do autor e de outros colegas.

Primeira instância negou o pedido; TRT-RS reverteu decisão

A empresa negou os fatos e afirmou promover treinamentos contra práticas discriminatórias. No entanto, não apresentou provas de ter apurado formalmente as denúncias.

A sentença de primeiro grau julgou os pedidos improcedentes, mas o trabalhador recorreu ao TRT-RS, que reconheceu o dano moral e reformou parcialmente a decisão. Os pedidos relacionados a doença ocupacional e reintegração foram negados.

Para relatora, ambiente era marcado por homofobia

A desembargadora relatora Rosane Serafini Casa Nova destacou que, mesmo sem agressões diretas ao autor, o ambiente de trabalho carregado de preconceito já configura violação à dignidade do trabalhador.

“A presença do autor no ambiente enquanto ocorriam comentários homofóbicos é suficiente para caracterizar o dano moral. A omissão da empresa em apurar os fatos agrava ainda mais a conduta”, afirmou.

Ela também citou o artigo 1º da Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias no trabalho, reforçando a proteção legal contra discriminação por orientação sexual.

Decisão foi unânime; empresa recorreu ao TST

A decisão foi tomada por unanimidade pelos magistrados da 1ª Turma, incluindo o desembargador Roger Ballejo Villarinho e o juiz convocado Ary Faria Marimon Filho.

A indústria recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Companhia aérea é responsável por cancelamento de voo em sistema de “codeshare”

Tribunal de Justiça catarinense confirma dever de indenizar passageiros após atraso de 34 horas

noticia

Escada com vista para vizinho a menos de 1,5m gera obrigação de demolição ou readequação

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou o rigor das regras do Direito de Vizinhança em recente decisão da Terceira Turma. O colegiado reconheceu que a construção de escadas que

noticia

Cessão de posse não configura doação e pode ser revogada em vida

A 1ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) confirmou, em acórdão, que um documento de cessão de posse com usufruto feito por uma tia em favor

noticia

Bloqueio indevido: Facebook condenado a pagar R$ 4 mil e reativar perfil

A plataforma desativou o perfil sem apresentar justificativa específica e sem comprovar que a medida observou as próprias políticas de uso.

noticia

TJSC condena associação por descontos indevidos em aposentadoria e alerta para prática “criminosa” contra idosos

Aposentada nunca se filiou à entidade responsável pelos descontos indevidos

noticia

Justiça anula juros abusivos e afirma que construtora não pode capitalizar juros mensalmente

Em uma vitória para o consumidor de Goiânia, o juiz da 31ª Vara Cível, José Augusto de Melo Silva, anulou a cláusula de capitalização mensal de juros em um contrato

noticia

TRT-SC condena empresa por demitir funcionária no dia seguinte a aviso judicial

Decisão da 5ª Turma reconheceu a dispensa como uma retaliação, violando o direito de livre acesso ao Judiciário

noticia

STJ relativiza publicidade e reconhece união estável homoafetiva de mais de 30 anos

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que a exigência de publicidade para a configuração da união estável homoafetiva pode ser abrandada. O colegiado reconheceu

noticia

Justiça mantém condenação de construtora por imóvel em condições precárias e atraso na entrega

A Justiça de Mato Grosso confirmou a responsabilidade de uma construtora por entregar um apartamento com diversos problemas e débitos pendentes, o que levou ao corte de água da família

noticia