Justiça de SC condena empresas têxteis por dívida de R$ 535 mil após manobra societária

A 1ª Câmara Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) confirmou a responsabilidade solidária de duas empresas do Vale do Itajaí pelo pagamento de uma dívida de R$ 535 mil. O tribunal reconheceu a existência de um grupo econômico de fato, onde uma nova empresa foi criada apenas para dar continuidade às atividades de outra inadimplente, tentando fugir de credores.

A decisão unânime reforça que o uso de diferentes CNPJs com os mesmos sócios, endereço e objeto social não exime as empresas de honrar seus compromissos financeiros.

O Caso: A tentativa de sucessão empresarial “invisível”

Uma fornecedora de máquinas têxteis, que prestava serviços às rés há mais de uma década, parou de receber os pagamentos. Ao investigar, a credora descobriu que os mesmos proprietários haviam constituído uma segunda empresa, no mesmo local e com a mesma atividade, operando com os mesmos equipamentos.

As empresas alegaram autonomia administrativa, mas o TJSC identificou um “mosaico robusto” de provas que ligavam as duas entidades, incluindo decisões anteriores da Justiça do Trabalho que já reconheciam a união das empresas.

A Decisão: Confissão por e-mail e proibição de comportamento contraditório

Dois pilares jurídicos fundamentaram a manutenção da condenação no Tribunal:

  1. Confissão Extrajudicial: Um e-mail enviado por um dos sócios propondo a renegociação da dívida foi aceito como prova cabal da existência do débito.
  2. Venire Contra Factum Proprium: O Tribunal aplicou este princípio, que proíbe que uma parte aja de forma contraditória. Se a empresa admitiu a dívida e prometeu pagar por e-mail, não pode depois ir à Justiça dizer que o débito não existe.

“A tutela da confiança é um dos pilares do ordenamento jurídico. Ao admitir a dívida e propor um acordo, as rés geraram na credora a justa expectativa do recebimento”, pontuou o relator.

O que é Grupo Econômico de Fato e Sucessão Empresarial?

No Direito Empresarial, quando empresas compartilham estrutura, sócios e objetivos de forma coordenada, elas podem ser consideradas uma unidade para fins de pagamento de dívidas.

Sinais que alertam para a responsabilidade solidária:

  • Identidade de Sócios e Endereço: Quando a “nova” empresa opera no mesmo lugar da antiga com o mesmo comando.
  • Confusão Patrimonial: Uso comum de máquinas, funcionários e capital.
  • Continuidade da Atividade: A empresa B “nasce” para fazer exatamente o que a empresa A fazia, enquanto a A acumula processos judiciais.

Na MHB Advocacia, atuamos na recuperação de créditos e na defesa de direitos empresariais, utilizando estratégias de investigação patrimonial para garantir que manobras societárias não impeçam o recebimento de valores devidos.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Abrir uma nova empresa no mesmo ramo para fugir de dívidas funciona? Não. A legislação brasileira e o TJSC têm entendimento consolidado de que, se houver prova de que a nova empresa é apenas uma “continuidade” da antiga (sucessão empresarial), ambas respondem pela dívida.

2. Um e-mail ou mensagem de WhatsApp serve como prova de dívida? Sim. Mensagens eletrônicas onde o devedor admite o valor ou propõe parcelamento são consideradas confissões extrajudiciais e têm grande peso em processos de cobrança.

3. O que acontece se a empresa devedora não tiver bens, mas a outra empresa do grupo tiver? Com o reconhecimento do grupo econômico, o juiz pode penhorar contas e bens de qualquer uma das empresas envolvidas, já que a responsabilidade passa a ser solidária.

4. O que significa “Venire Contra Factum Proprium”? É uma expressão em latim que significa “vir contra fato próprio”. No Direito, impede que alguém tome uma decisão e depois mude de ideia de forma a prejudicar outra pessoa que confiou na primeira atitude.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

TJSC mantém suspensão de CNH e bloqueio de cartões de devedor de pensão alimentícia

O TJSC manteve a suspensão de CNH e bloqueio de cartões de um devedor de pensão alimentícia. Entenda as medidas atípicas de cobrança com a MHB Advocacia.

noticia

Único imóvel do devedor pode ser penhorado se não servir de residência

O TRT-18 decidiu que o único imóvel do devedor pode ser penhorado se não houver prova de moradia. Entenda os limites do bem de família com a MHB Advocacia.

noticia

TRT-RS decide: Demissão por WhatsApp não gera indenização por danos morais

O TRT-RS confirmou que a demissão via WhatsApp não gera indenização por danos morais, sendo considerada um dissabor moderno. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça do Trabalho reconhece discriminação salarial contra PcD e reverte pedido de demissão

O TRT-RS condenou uma empresa por discriminação salarial contra PcD, elevando a indenização e revertendo a demissão em rescisão indireta. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

STJ decide: Perda da propriedade por decisão judicial extingue contrato de arrendamento rural

O STJ decidiu que a perda da propriedade rural por decisão judicial extingue o contrato de arrendamento imediatamente. Saiba como se proteger com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça suspende cobranças de contrato imobiliário por cláusulas abusivas

Justiça de Goiânia concede liminar para suspender parcelas de contrato imobiliário com cláusulas abusivas. Saiba como interromper cobranças com a MHB Advocacia.

noticia

Judiciário inicia mutirões para agilizar processos de saúde em todo o Brasil

O Judiciário realiza a 2ª Semana Nacional da Saúde com mutirões de conciliação e uso de IA para agilizar processos. Saiba como garantir seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça Federal condena Caixa e construtora por atraso em imóvel do programa “Casa Verde e Amarela”

A Justiça Federal condenou a Caixa e uma construtora a devolverem valores e pagarem danos morais por atraso em obra. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

Presidente sanciona lei que amplia licença-paternidade para até 20 dias

Entenda as novas regras do salário-paternidade com a MHB Advocacia.

noticia