STJ condena bancos por golpe da falsa central de atendimento: falha na proteção e perfil do cliente

Em uma decisão crucial para a segurança do consumidor, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que tanto bancos tradicionais quanto as instituições de pagamento devem indenizar clientes lesados por golpes de engenharia social. O entendimento se aplica quando a fraude (como o golpe da falsa central de atendimento) é facilitada por falhas na segurança ou na detecção de movimentações fora do padrão do cliente.

A decisão do STJ reverteu o TJSP em um caso onde um consumidor em São Paulo perdeu R$ 143 mil em transações fraudulentas.

Falha do Sistema de Segurança e Súmula 479

O correntista alegou que o banco falhou ao não adotar medidas de segurança para proteger seus dados, permitindo que criminosos realizassem 14 transações fraudulentas e contratassem um empréstimo em um único dia, operações totalmente incompatíveis com seu histórico.

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator, aplicou a Súmula 479, que estabelece a responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fortuito interno.

Segundo o ministro, a defesa do banco precisava provar a culpa exclusiva do consumidor, mas as evidências do juízo de primeiro grau apontaram para:

  1. Transações em total dissonância com o perfil de consumo.
  2. Falhas no sistema de segurança que não impediu ou cancelou as operações suspeitas.

O Dever de Garantir a Segurança (Lei 12.865/2013)

O ponto central da decisão é que o serviço bancário é considerado defeituoso (Art. 14, § 1º, CDC) se não oferece a segurança que dele se espera.

Além disso, o ministro Cueva pacificou que a responsabilidade se estende às instituições de pagamento (fintechs, carteiras digitais, etc.), que também possuem o dever legal de garantir a segurança no processamento das transações de seus usuários, conforme o Artigo 7º da Lei 12.865/2013.

A conclusão do STJ é um alerta para todo o mercado financeiro: “A validação de operações suspeitas, atípicas e alheias ao perfil de consumo do correntista deixa à mostra a existência de defeito na prestação do serviço, a ensejar a responsabilização das instituições financeiras e das instituições de pagamento.”

Fonte: STJ

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Ajuda financeira familiar não justifica desconsideração inversa da personalidade jurídica na Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho rejeita IDPJ Inverso e decide que repasse familiar não justifica penhora em empresa do filho. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Aprovada no Congresso PEC que põe fim à escala 6×1 com implementação gradual da jornada de 40 horas

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 com redução gradual da jornada para 40 horas semanais. Entenda os detalhes com a MHB Advocacia.

noticia

Aluguel arrecadado em área comum de condomínio deve ser dividido entre todos os proprietários

TJ-MG decide que aluguel de área comum de condomínio deve ser dividido entre os proprietários. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de desocupação do imóvel

TJ-MG decide que rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de reintegração sem título executivo. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Paralisação de obra e falta de cronograma configuram inadimplemento antecipado e exigem devolução integral de valores

Justiça de SP reconhece inadimplemento antecipado e manda construtora devolver 100% do valor de imóvel com obra parada. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Morar por décadas em imóvel da família não garante usucapião sem comprovação do animus domini

STJ decide que morar por anos em imóvel da família não gera usucapião sem prova de animus domini. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Falha na checagem de documentos e recusa de seguro-fiança geram dever de indenizar proprietário de imóvel

A 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) manteve a condenação solidária de uma imobiliária e de uma seguradora. Como resultado, as empresas deverão ressarcir uma

noticia

Princípio da saisine impede direito de representação quando herdeiro morre anos após o autor da herança

Justiça de SC aplica o princípio da saisine e veda direito de representação para herdeiro que faleceu anos após o pai. Entenda o caso com a MHB Advocacia.

noticia

Atraso em obra do Minha Casa, Minha Vida gera indenização de R$ 11 mil por danos morais em Santa Catarina

Justiça de SC condena incorporadora a pagar R$ 11 mil por atraso de 11 meses na entrega de imóvel do Minha Casa, Minha Vida em Blumenau. Saiba mais.

noticia