Justiça autoriza suspensão de parcelas após pedido de rescisão de contrato imobiliário

A Vara Cível de Jaraguá (GO) proferiu uma decisão fundamental para compradores de imóveis que desejam desistir do negócio. O juiz Denis Lima Bonfim concedeu uma tutela de urgência que suspende imediatamente o pagamento de parcelas, IPTU e taxas condominiais de um lote após os compradores manifestarem o interesse na rescisão contratual.

O Caso: Desistência de lote de R$ 800 mil

Dois compradores adquiriram um lote em Aparecida de Goiânia (GO). Após pagarem R$ 113 mil, decidiram encerrar o contrato. A empresa vendedora ofereceu restituir apenas R$ 30 mil amigavelmente, gerando um impasse.

Os compradores acionaram a Justiça pedindo a rescisão e a devolução justa dos valores. Para evitar o acúmulo de dívidas durante o processo, solicitaram a interrupção das cobranças.

A Decisão: Suspensão é “consequência lógica”

O magistrado entendeu que, se o comprador não deseja mais o imóvel, mantê-lo pagando as prestações criaria um risco financeiro desnecessário.

Os fundamentos da decisão foram:

  • Probabilidade do Direito: O interesse em rescindir o contrato é um direito do consumidor, independentemente do motivo.
  • Perigo de Dano: Manter as cobranças sujeitaria os autores a multas, juros e à negativação indevida nos órgãos de proteção ao crédito (SPC/Serasa).
  • Ausência de Registro: O juiz observou que, embora houvesse previsão de alienação fiduciária, ela não estava registrada na matrícula, o que facilita a rescisão pelas normas do Código de Defesa do Consumidor.

“A suspensão das cobranças referentes ao pacto é consectário lógico da opção que fez [pela rescisão]”, afirmou o magistrado.

O que você deve saber antes de desistir de um imóvel

Se você não consegue mais arcar com as prestações ou perdeu o interesse no imóvel, a Justiça brasileira protege o seu direito de “parar o prejuízo”.

Benefícios da liminar de suspensão:

  1. Proteção do Nome: A empresa fica proibida de negativar seu CPF.
  2. Cessação de Gastos: Você para de pagar parcelas, condomínio e IPTU imediatamente.
  3. Segurança Jurídica: O debate no processo fica restrito apenas ao valor que a empresa deve te devolver, sem o risco de sua dívida aumentar.

Na MHB Advocacia, atuamos de forma estratégica para garantir que compradores de imóveis não sejam reféns de contratos abusivos ou de cobranças indevidas durante o distrato imobiliário.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Posso parar de pagar as parcelas assim que decidir desistir do imóvel? O ideal é obter uma decisão judicial (liminar) antes de interromper os pagamentos. Parar por conta própria sem autorização judicial pode gerar negativação e multas contratuais.

2. Quanto o juiz determina que a empresa deve devolver? Em casos de desistência pelo comprador, a Justiça costuma fixar a retenção pela construtora entre 10% e 25% dos valores pagos, dependendo da data do contrato e das circunstâncias do caso.

3. A empresa pode sujar meu nome durante o processo de rescisão? Se o juiz conceder a liminar (tutela de urgência), a empresa está proibida de incluir seu nome no SPC/Serasa sob pena de multa diária.

4. E as taxas de condomínio e IPTU? A partir do momento que você manifesta o interesse em rescindir e entrega as chaves (ou a posse do lote), essas despesas passam a ser responsabilidade da vendedora.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

STF inicia julgamento sobre imunidade de ITBI na integralização de capital em holdings e imobiliárias

O STF iniciou o julgamento do Tema 1.348 sobre a cobrança de ITBI na integralização de imóvel em empresas imobiliárias. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça anula contrato de imóvel atrasado e condena construtora por má-fé e juros de obra indevidos

O TJRS anulou contrato de imóvel por atraso na obra, condenando a construtora à devolução integral e multa. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça do Trabalho declara incompetência para julgar pedido de vínculo de desenvolvedor PJ

A Justiça do Trabalho de SP reconheceu incompetência para julgar ação de desenvolvedor PJ, aplicando tese do STF. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

STJ autoriza penhora parcial de rendimentos de pequena propriedade rural desde que mantido o mínimo existencial

O STJ decidiu que rendimentos da pequena propriedade rural podem ser parcialmente penhorados. Entenda os impactos com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça anula venda simulada de terreno e reconhece fraude contra credores

A Justiça de Penha anulou a venda simulada de um posto de combustíveis e reconheceu fraude contra credores. Entenda o caso com a MHB Advocacia.

noticia

STJ decide que alto valor de mercado não afasta a impenhorabilidade do bem de família

O STJ decidiu que o alto valor de mercado não afasta a impenhorabilidade do bem de família. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

STJ valida cobrança de taxa de condomínio em loteamento irregular havendo concordância por escrito

O STJ decidiu que o condomínio irregular pode cobrar taxa se houver anuência expressa do proprietário por escrito. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça confirma imunidade de ITBI sobre valor de mercado em integralização de capital social

O TJSP confirmou que não incide ITBI sobre a diferença entre o valor histórico e o de mercado na integralização de capital. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

TRT-1 confirma condenação de empresa por assédio eleitoral com controle de presença em eventos políticos

O TRT-1 manteve a condenação de empresa por assédio eleitoral ao exigir presença de funcionários em reuniões políticas. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia