Justiça limita penhora de imóvel rural para preservar sustento de família de produtores

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) suspendeu a penhora integral de uma propriedade rural com 118,58 hectares. A decisão do desembargador Sérgio Mendonça de Araújo garante que a constrição judicial respeite o limite de quatro módulos fiscais. Desse modo, a proteção ao bem de família rural permanece válida mesmo se a área total exceder o teto legal.

Contudo, o magistrado determinou que a penhora deve atingir apenas a parcela excedente de terra. Essa medida corrige a sentença de primeiro grau, que havia autorizado a penhora total da gleba por um critério puramente matemático.

O conflito entre o limite quantitativo e o sustento familiar

O litígio surgiu em uma execução de título extrajudicial contra um agricultor. O imóvel possui 118,58 hectares, mas o limite de quatro módulos fiscais para a região de Córrego do Ouro (GO) é de 104 hectares.

A juíza de primeira instância autorizou a penhora total das terras. Segundo ela, o fato de a área superar o teto legal afastaria automaticamente a proteção da impenhorabilidade. Entretanto, o produtor recorreu ao TJ-GO. Ele sustentou que a propriedade sustenta seu núcleo familiar e que apenas os 14,58 hectares excedentes deveriam responder pela dívida.

A decisão: O Tribunal prioriza a exploração familiar

O relator acolheu os argumentos do produtor com base no risco de dano irreversível. Além disso, o desembargador destacou a probabilidade de provimento do recurso, já que a família trabalha ativamente na terra.

Estes pontos fundamentaram a decisão:

  • Impenhorabilidade Parcial: A justiça deve preservar a área de até quatro módulos fiscais, limitando a execução à área que sobra.
  • Aspecto Qualitativo: A função social e a exploração familiar da terra possuem mais peso que a interpretação numérica isolada.
  • Tema 961 do STF: O entendimento segue a jurisprudência do Supremo, que protege a pequena propriedade rural trabalhada pela família.

“A manutenção da penhora total geraria prejuízos impossíveis de reparar ao produtor rural”, concluiu o relator.

O que é o Módulo Fiscal e como ele ajuda você?

O módulo fiscal é uma unidade de medida em hectares, fixada pelo INCRA para cada município brasileiro. Ele define a área mínima necessária para que uma família explore a terra e garanta seu sustento.

Entenda as regras de proteção:

  1. Limite Legal: A proteção foca em propriedades de até quatro módulos fiscais.
  2. Variação Regional: O tamanho do módulo muda conforme a produtividade e a localização da cidade.
  3. Trabalho Familiar: A impenhorabilidade exige que a família trabalhe na propriedade, transformando-a em sua principal fonte de renda.

Na MHB Advocacia, defendemos o patrimônio de produtores rurais contra execuções abusivas. Nossa equipe utiliza as teses mais recentes para impedir que dívidas comprometam a sobrevivência do núcleo familiar no campo.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Minha fazenda é maior que 4 módulos fiscais. Perco toda a proteção? Não. Conforme a nova decisão do TJ-GO, você mantém a proteção sobre a área equivalente aos 4 módulos. Portanto, apenas a área excedente pode ser levada a leilão.

2. Como posso provar a exploração familiar da terra? Você deve apresentar notas fiscais de produtor, registros de ITR, comprovantes de compra de insumos e fotos da atividade produtiva no local.

3. O banco pode penhorar minha pequena propriedade por dívida de custeio? Em regra, não. A Constituição Federal protege a pequena propriedade rural trabalhada pela família contra penhoras decorrentes de sua atividade produtiva.

4. Onde verifico o valor do módulo fiscal do meu município? Você pode consultar essa tabela no site oficial do INCRA ou buscar auxílio especializado para o cálculo exato da área protegida.

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Ajuda financeira familiar não justifica desconsideração inversa da personalidade jurídica na Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho rejeita IDPJ Inverso e decide que repasse familiar não justifica penhora em empresa do filho. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Aprovada no Congresso PEC que põe fim à escala 6×1 com implementação gradual da jornada de 40 horas

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 com redução gradual da jornada para 40 horas semanais. Entenda os detalhes com a MHB Advocacia.

noticia

Aluguel arrecadado em área comum de condomínio deve ser dividido entre todos os proprietários

TJ-MG decide que aluguel de área comum de condomínio deve ser dividido entre os proprietários. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de desocupação do imóvel

TJ-MG decide que rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de reintegração sem título executivo. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Paralisação de obra e falta de cronograma configuram inadimplemento antecipado e exigem devolução integral de valores

Justiça de SP reconhece inadimplemento antecipado e manda construtora devolver 100% do valor de imóvel com obra parada. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Morar por décadas em imóvel da família não garante usucapião sem comprovação do animus domini

STJ decide que morar por anos em imóvel da família não gera usucapião sem prova de animus domini. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Falha na checagem de documentos e recusa de seguro-fiança geram dever de indenizar proprietário de imóvel

A 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) manteve a condenação solidária de uma imobiliária e de uma seguradora. Como resultado, as empresas deverão ressarcir uma

noticia

Princípio da saisine impede direito de representação quando herdeiro morre anos após o autor da herança

Justiça de SC aplica o princípio da saisine e veda direito de representação para herdeiro que faleceu anos após o pai. Entenda o caso com a MHB Advocacia.

noticia

Atraso em obra do Minha Casa, Minha Vida gera indenização de R$ 11 mil por danos morais em Santa Catarina

Justiça de SC condena incorporadora a pagar R$ 11 mil por atraso de 11 meses na entrega de imóvel do Minha Casa, Minha Vida em Blumenau. Saiba mais.

noticia