Empresa é condenada por expor nome de empregada que moveu ação

A 2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou uma empresa ferroviária a indenizar uma metroviária por danos morais, após a divulgação, na intranet da empresa, de uma lista contendo nomes de empregados que moviam ações trabalhistas contra a companhia. A decisão teve como base a violação da privacidade e da segurança dos dados pessoais dos trabalhadores.

Segundo a trabalhadora, em junho de 2018, a empresa divulgou internamente uma tabela com nomes, números de processos trabalhistas e valores a receber de mais de dois mil empregados. Após a exposição dos dados, ela afirmou ter sido alvo de piadas e comentários vexatórios, como: “e aí, tá rico, então?” e “me faz um empréstimo?”.

Além disso, a divulgação teria dado origem a um “banco de apostas” interno, em que colegas faziam suposições sobre o resultado das ações, com frases como: “essa tu vai perder” ou “teu processo tá ganho”.

TRT-4 considerou o caso como mero aborrecimento

A 16ª Vara do Trabalho de Porto Alegre havia condenado a empresa ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) reformou a sentença. Para o TRT, não houve exposição pública, já que os dados foram divulgados apenas no ambiente interno da empresa, em resposta a uma solicitação oficial do governo. A corte entendeu que a situação configurava um mero aborrecimento, insuficiente para justificar a indenização.

TST reconhece violação à privacidade e discriminação

Ao julgar o recurso de revista da trabalhadora, a 2ª Turma do TST adotou entendimento diferente. Para a relatora, ministra Delaíde Miranda Arantes, houve ilegalidade na divulgação dos dados pessoais, especialmente por se tratar de uma informação sensível — o fato de o empregado ter ajuizado ação contra o empregador.

A ministra destacou que a divulgação de uma lista com nomes de trabalhadores litigantes pode ter efeitos discriminatórios e gerar retaliações no ambiente corporativo. Segundo ela, “não se pode admitir, no cenário social e jurídico atual, qualquer ação ilegítima que possa transgredir a noção de honra e valor pessoal do ser humano”.

A decisão foi unânime.

Clique aqui para ler a decisão
Processo 20981-97.2022.5.04.0016

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Ajuda financeira familiar não justifica desconsideração inversa da personalidade jurídica na Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho rejeita IDPJ Inverso e decide que repasse familiar não justifica penhora em empresa do filho. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Aprovada no Congresso PEC que põe fim à escala 6×1 com implementação gradual da jornada de 40 horas

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 com redução gradual da jornada para 40 horas semanais. Entenda os detalhes com a MHB Advocacia.

noticia

Aluguel arrecadado em área comum de condomínio deve ser dividido entre todos os proprietários

TJ-MG decide que aluguel de área comum de condomínio deve ser dividido entre os proprietários. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de desocupação do imóvel

TJ-MG decide que rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de reintegração sem título executivo. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Paralisação de obra e falta de cronograma configuram inadimplemento antecipado e exigem devolução integral de valores

Justiça de SP reconhece inadimplemento antecipado e manda construtora devolver 100% do valor de imóvel com obra parada. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Morar por décadas em imóvel da família não garante usucapião sem comprovação do animus domini

STJ decide que morar por anos em imóvel da família não gera usucapião sem prova de animus domini. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Falha na checagem de documentos e recusa de seguro-fiança geram dever de indenizar proprietário de imóvel

A 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) manteve a condenação solidária de uma imobiliária e de uma seguradora. Como resultado, as empresas deverão ressarcir uma

noticia

Princípio da saisine impede direito de representação quando herdeiro morre anos após o autor da herança

Justiça de SC aplica o princípio da saisine e veda direito de representação para herdeiro que faleceu anos após o pai. Entenda o caso com a MHB Advocacia.

noticia

Atraso em obra do Minha Casa, Minha Vida gera indenização de R$ 11 mil por danos morais em Santa Catarina

Justiça de SC condena incorporadora a pagar R$ 11 mil por atraso de 11 meses na entrega de imóvel do Minha Casa, Minha Vida em Blumenau. Saiba mais.

noticia