Leilões de imóveis avançam em meio à inadimplência de famílias brasileiras

A dificuldade que os brasileiros têm enfrentado para pagar as contas, as prestações de financiamento imobiliário, está aumentando o volume de leilões de casas e apartamentos dos inadimplentes.

Nas grandes cidades brasileiras, um tipo de negócio cresceu este ano bem mais do que qualquer setor da economia: o mercado de leilões de imóveis. A venda pública de casas, apartamentos e terrenos pelo maior lance.

Em 2022, 9 mil imóveis foram a leilão. No ano passado, 26 mil. E no primeiro semestre de 2024, já era o dobro da soma dos dois anos anteriores: 44 mil imóveis arrematados, quase sempre com grandes descontos.

Pode ser chamado de oportunidade. Mas é também o capítulo final de uma história de perdas. Grande parte dos imóveis anunciados nesses leilões foi retomada de brasileiros que não conseguiram pagar dívidas de financiamento, condomínio e impostos. O crescimento exponencial desse mercado aponta para um conflito em que não são só os devedores que perdem, dizem os economistas.

“Sem dúvida, o que nós temos é a visão de que a saturação da capacidade de pagamento das dívidas acontece de maneira sistemática e difundida com impactos no país como um todo. Isso já foi mensurado em outras crises imobiliárias”, analisa a professora de Direito Econômico da USP Maria Paula Bertran.

A professora de Direito Econômico da USP destaca o nível de endividamento das famílias. Hoje, quase 8 entre 10 brasileiros estão endividados, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

“Tenham a certeza de só assumir compromissos financeiros que sejam perfeitamente encaixados no seu orçamento. Num país com tanta informalidade como o Brasil, com ciclos de economia curtos e contratos de financiamento longos, os problemas acontecerão”, complementa a professora.

Fonte: G1

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