Rescisão de compra de lote: STJ manteve retenção de 100% dos valores pagos

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que validou o desconto da taxa de ocupação (fruição) e da cláusula penal em casos de distrato de compra de lote. A decisão é fundamental por confirmar que a Lei do Distrato (Lei 13.786/2018) permite a cobrança da taxa de fruição mesmo em lotes não edificados, alterando o entendimento anterior do Tribunal.

No caso em análise, o comprador de um lote em São Paulo, que desistiu do negócio após pagar apenas R$ 6.549,10 de um contrato de R$ 111 mil, não terá direito à restituição de valores após as deduções legais.

Lei do Distrato Alterou Jurisprudência

A relatora no STJ, ministra Isabel Gallotti, explicou que a Lei 13.786/2018, que passou a vigorar antes da assinatura do contrato em 2021, trouxe previsões específicas para a desistência de compra de lotes (artigo 26-A da Lei 6.766/1979).

1. Cláusula Penal (Multa): A Lei passou a prever expressamente a cláusula penal de 10% do valor atualizado do contrato para a rescisão. No caso, a retenção estava dentro do limite legal.

2. Taxa de Fruição (Ocupação): Este foi o ponto principal. Antes de 2018, a jurisprudência do STJ não autorizava a cobrança de taxa de ocupação em lote sem construção. Contudo, a ministra Gallotti ressaltou que a Lei do Distrato agora prevê a retenção de “valores correspondentes à eventual fruição do imóvel, até o equivalente a 0,75% sobre o valor atualizado do contrato“.

A relatora concluiu que o entendimento anterior do STJ não pode mais prevalecer para contratos celebrados após a Lei do Distrato, que autoriza a retenção com ou sem edificação no lote.

Consumidor Pagou Quantia Mínima

O STJ afastou a alegação de ofensa ao Artigo 53 do CDC (que proíbe a perda total das prestações pagas), explicando que a falta de restituição decorre do valor irrisório pago pelo adquirente.

“Se nada há a ser restituído ao adquirente é porque ele pagou quantia muito pequena, que não é capaz de quitar sequer a cláusula penal e a taxa de fruição contratualmente fixadas dentro dos limites da lei,” concluiu a ministra Gallotti.

Fonte: STJ

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Ajuda financeira familiar não justifica desconsideração inversa da personalidade jurídica na Justiça do Trabalho

Justiça do Trabalho rejeita IDPJ Inverso e decide que repasse familiar não justifica penhora em empresa do filho. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Aprovada no Congresso PEC que põe fim à escala 6×1 com implementação gradual da jornada de 40 horas

Senado aprova PEC do fim da escala 6x1 com redução gradual da jornada para 40 horas semanais. Entenda os detalhes com a MHB Advocacia.

noticia

Aluguel arrecadado em área comum de condomínio deve ser dividido entre todos os proprietários

TJ-MG decide que aluguel de área comum de condomínio deve ser dividido entre os proprietários. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de desocupação do imóvel

TJ-MG decide que rejeição de manutenção de posse não gera ordem automática de reintegração sem título executivo. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Paralisação de obra e falta de cronograma configuram inadimplemento antecipado e exigem devolução integral de valores

Justiça de SP reconhece inadimplemento antecipado e manda construtora devolver 100% do valor de imóvel com obra parada. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Morar por décadas em imóvel da família não garante usucapião sem comprovação do animus domini

STJ decide que morar por anos em imóvel da família não gera usucapião sem prova de animus domini. Entenda com a MHB Advocacia.

noticia

Falha na checagem de documentos e recusa de seguro-fiança geram dever de indenizar proprietário de imóvel

A 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) manteve a condenação solidária de uma imobiliária e de uma seguradora. Como resultado, as empresas deverão ressarcir uma

noticia

Princípio da saisine impede direito de representação quando herdeiro morre anos após o autor da herança

Justiça de SC aplica o princípio da saisine e veda direito de representação para herdeiro que faleceu anos após o pai. Entenda o caso com a MHB Advocacia.

noticia

Atraso em obra do Minha Casa, Minha Vida gera indenização de R$ 11 mil por danos morais em Santa Catarina

Justiça de SC condena incorporadora a pagar R$ 11 mil por atraso de 11 meses na entrega de imóvel do Minha Casa, Minha Vida em Blumenau. Saiba mais.

noticia