Sem acordo, Justiça decidirá reintegração de posse de área ocupada por indígenas

Uma audiência de conciliação sobre a ocupação do Colégio Agrícola de Mafra por um grupo de 10 indígenas, realizada no Salão do Tribunal do Júri da comarca, terminou sem acordo. Após três horas de debates, o juízo da 2ª Vara Cível de Mafra decidiu que a análise do pedido liminar de reintegração de posse será realizada apenas depois que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o município de Mafra apresentarem a documentação solicitada.

Próximos Passos e Documentos Solicitados

A Funai e o município têm 15 dias para apresentar os documentos. A Funai deve anexar a ata de uma reunião de 24 de abril de 2024. Já o município precisa apresentar o número da ação civil pública em trâmite na Justiça Federal, um levantamento técnico de 2024 sobre a viabilidade de uso do imóvel e a ata da mesma reunião.

Caso a reintegração de posse seja concedida, será necessário elaborar um plano de ação e um cronograma para a desocupação, em conformidade com a Resolução n. 510/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na audiência, o procurador do município de Mafra reiterou o pedido de liminar e afirmou que não há proposta de acordo. A Defensoria Pública, por sua vez, solicitou o indeferimento da liminar, pedindo mais tempo para buscar alternativas e avaliar os impactos ambientais e sociais.

Origem da Ocupação

O grupo de 10 indígenas, vindo da aldeia Ketajung em Chapecó, ocupou o Colégio Agrícola em 7 de abril de 2025. Eles faziam parte de um grupo maior de 90 indígenas que chegou a Mafra no início de 2023. Segundo a ação de reintegração de posse, divergências na tribo levaram à divisão do grupo.

Após rejeitarem uma área oferecida pela União, os indígenas manifestaram interesse nas terras do colégio, que são utilizadas para o cultivo de alunos e criação de animais. Apesar de serem informados de que a área não é viável para um aldeamento por estar em uma área de preservação permanente, o grupo insistiu na ocupação.

A ação judicial relata que, no dia 7 de abril, os indígenas apresentaram um documento que alegavam ser uma autorização para a ocupação, e, ao serem informados de que o documento não era válido, teriam arrombado o portão e invadido o imóvel. No dia seguinte, eles teriam entrado nas dependências do colégio e, sob ameaças, exigido água, causando pânico entre os alunos. O processo tramita sob o número 5001931-10.2025.8.24.0041.

Fonte: TJ/SC

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Justiça limita penhora de imóvel rural para preservar sustento de família de produtores

O TJ-GO limitou a penhora de imóvel rural para preservar a área de sustento de uma família de agricultores. Saiba como proteger sua terra com a MHB Advocacia.

noticia

TJSC mantém suspensão de CNH e bloqueio de cartões de devedor de pensão alimentícia

O TJSC manteve a suspensão de CNH e bloqueio de cartões de um devedor de pensão alimentícia. Entenda as medidas atípicas de cobrança com a MHB Advocacia.

noticia

Único imóvel do devedor pode ser penhorado se não servir de residência

O TRT-18 decidiu que o único imóvel do devedor pode ser penhorado se não houver prova de moradia. Entenda os limites do bem de família com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça de SC condena empresas têxteis por dívida de R$ 535 mil após manobra societária

O TJSC confirmou a condenação de empresas têxteis por dívida de R$ 535 mil, reconhecendo grupo econômico de fato e sucessão empresarial. Saiba mais com a MHB Advocacia.

noticia

TRT-RS decide: Demissão por WhatsApp não gera indenização por danos morais

O TRT-RS confirmou que a demissão via WhatsApp não gera indenização por danos morais, sendo considerada um dissabor moderno. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça do Trabalho reconhece discriminação salarial contra PcD e reverte pedido de demissão

O TRT-RS condenou uma empresa por discriminação salarial contra PcD, elevando a indenização e revertendo a demissão em rescisão indireta. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

STJ decide: Perda da propriedade por decisão judicial extingue contrato de arrendamento rural

O STJ decidiu que a perda da propriedade rural por decisão judicial extingue o contrato de arrendamento imediatamente. Saiba como se proteger com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça suspende cobranças de contrato imobiliário por cláusulas abusivas

Justiça de Goiânia concede liminar para suspender parcelas de contrato imobiliário com cláusulas abusivas. Saiba como interromper cobranças com a MHB Advocacia.

noticia

Judiciário inicia mutirões para agilizar processos de saúde em todo o Brasil

O Judiciário realiza a 2ª Semana Nacional da Saúde com mutirões de conciliação e uso de IA para agilizar processos. Saiba como garantir seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia