TJSC anula venda de imóvel por simulação após 10 anos de disputa judicial

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) confirmou uma sentença que declarou nulo um contrato de compra e venda de imóvel firmado em 2009. A 7ª Câmara Civil do TJSC concluiu que a transação, que envolvia um apartamento em São José, foi uma simulação e que a verdadeira proprietária jamais perdeu a administração do bem.

A decisão reforça o entendimento de que negócios jurídicos absolutamente nulos não se convalidam com o tempo, seguindo precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Escritura Pública Não Salvou o Negócio Simulado

A parte que figurava como adquirente do imóvel recorreu ao TJSC, alegando ter pago R$ 93,5 mil e defendendo a validade da escritura pública. O argumento principal era que o direito de anular o negócio já teria decaído (prescrito), visto que a ação foi ajuizada quase dez anos após o registro.

O desembargador relator rejeitou a tese, lembrando que a nulidade absoluta por simulação é um vício insanável, que pode ser alegado a qualquer tempo. Ele destacou evidências que comprovavam a fraude:

  • A escritura foi lavrada poucos dias após o cancelamento de uma penhora trabalhista sobre o bem.
  • A suposta compradora jamais exerceu a posse do apartamento ou recebeu os aluguéis.

Proprietária Seguiu Pagando Contas e Recebendo Aluguéis

Para o magistrado, as provas eram incontestáveis: a autora da ação continuou a receber os aluguéis diretamente dos inquilinos, a fornecer os recibos, a pagar o IPTU e a manter o seguro residencial em seu nome.

O relator questionou a conduta da suposta compradora, que só se insurgiu após a notícia de que a proprietária estava tentando vender o imóvel novamente:

“Causa muita estranheza, senão comprova a existência da simulação, a requerida não solicitar a entrega do bem e o recebimento dos aluguéis após os cinco anos da transferência registral, insurgindo-se apenas após a notícia da venda,” registrou no voto.

O colegiado também afastou a tese de que a autora estaria se beneficiando da própria torpeza, pontuando que o Código Civil de 2002 permite que a simulação seja alegada entre as próprias partes, sendo vedada apenas contra terceiros de boa-fé. A decisão unânime majorou os honorários de sucumbência em 30%.

Fonte: TJ/SC

Compartilhe esse artigo

Precisa de Assistência Jurídica?

Entre em contato conosco para discutir como podemos auxiliar você. 

Últimos conteúdos

Câmara aprova PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz jornada para 40 horas

A Câmara aprovou a PEC que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada para 40 horas semanais com dois dias de descanso. Entenda as regras com a MHB Advocacia.

noticia

Nova NR-1 entra em vigor e obriga empresas a gerenciar riscos psicossociais

A nova NR-1 entrou em vigor e obriga empresas de todos os portes a incluírem riscos psicossociais na gestão. Evite multas e processos com a MHB Advocacia.

noticia

TJ-SC condena aplicativo de transporte por motoristas recusarem cão-guia

O TJ-SC manteve a condenação de R$ 15 mil contra aplicativo de transporte por motoristas que recusaram passageiro com cão-guia. Saiba mais com a MHB Advocacia.

noticia

Casal é condenado em SC por apontar câmeras de segurança para a casa de vizinha

A Justiça catarinense condenou um casal a pagar indenização após apontar câmeras de vigilância para o quarto da vizinha. Saiba mais com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça afasta cobrança de ITBI sobre imóveis usados para integralizar capital social

O TJ-DF confirmou que não incide ITBI na integralização de capital social com imóveis em empresas novas. Entenda seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça proíbe construtoras de cobrar juros compostos mensais em financiamento direto

A Justiça proibiu construtoras de aplicarem a Tabela Price e juros capitalizados mensais em contratos diretos. Conheça seus direitos com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça decide que ex-sócio responde por fatos anteriores ao Código Civil de 2002

O TRT-2 decidiu que o prazo de 2 anos para responsabilidade de ex-sócio não vale para saídas antes de 2003. Entenda os riscos com a MHB Advocacia.

noticia

Justiça afasta taxa de fruição em rescisão de lote vazio, mesmo com obra realizada pelo comprador

O TJ-SP decidiu que a rescisão de lote vazio não autoriza taxa de fruição, mesmo com obra. Saiba como recuperar seus valores com a MHB Advocacia.

noticia

Assédio Moral no Trabalho: Justiça recebeu mais de 600 mil ações em cinco anos

O assédio moral no trabalho gerou 600 mil processos em 5 anos. Saiba como identificar condutas abusivas e proteger seus direitos com a MHB Advocacia

noticia